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Dislexia: Como Identificar? Como Intervir?

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
fonte: Dra.PaulaTeles


Imagem ilustrativa do assunto abordado«A dislexia não tem nada a ver com problemas de visão nem com falta de inteligência, mas é um défice fonológico». Esta explicação é sempre dada da mesma forma pela Dra. Paula Teles, psicóloga educacional, autora do "Método Fonomímico Paula Teles" e uma das maiores investigadoras nacionais na área das dificuldades da aprendizagem da escrita e leitura.

O ajudas.com abordará este mês de Maio o tema Dislexia.
Para isso contaremos, neste espaço, com diversos artigos escritos pela Dra. Paula Teles, bem como a sugestão e explicação dos materiais mais indicados por esta grande especialista na matéria.




O Método Fonomímico Paula Teles - I Parte



Os Cartões Fonomímicos e o CD com as Cantilenas do Abecedário, foram elaborados tendo como referência os resultados da investigação neurocientífica, os estudo e a experiência profissional da autora, professora e psicóloga educacional, que ao longo de mais de quatro décadas tem exercido a sua actividade profissional na avaliação, ensino e reeducação de crianças e jovens com perturbações da linguagem, da leitura e da escrita.

Estes materiais propõem-se iniciar a aprendizagem da leitura e da escrita mediante a realização de actividades lúdicas, atractivas e divertidas. As crianças observam os desenhos de cada “Animal-Fonema”, ouvem e cantam as suas “Histórias-Cantilenas”, mimam os respectivos gestos.

imagem do conjunto de cartões de trabalho do método fonomímico da Dra. Paula Teles


Através desta metodologia fonomímica, multissensorial, descobrem com prazer a relação entre os sons da linguagem oral e as letras do alfabeto e, de degrau em degrau, vão progredindo nas competências da leitura e da escrita, aprendem a sério…a brincar…

Têm como objectivos específicos:

· Desenvolver a Consciência Fonémica - a consciência de que as palavras da linguagem oral são formadas por fonemas.

· Ensinar o Princípio Alfabético - ensinar que os fonemas da linguagem oral são representados pelas letras do alfabeto.

· Ensinar as Correspondências Fonema Û Grafema - o conhecimento automático das diferentes correspondências fonema Û grafema.

· Ensinar as Irregularidades nas Correspondências Fonema Û Grafema - ensinar que alguns fonemas que podem ser representados por diversos grafemas e que alguns grafemas têm diferentes correspondências fonémicas.

· Memorizar as Cantilenas do Abecedário.



Destinam-se a todas as crianças, com e sem dificuldades fonológicas ou de leitura, desde a fase de “leitores-ouvintes” até conseguirem atingir uma leitura correcta, fluente e compreensiva.






Artigo publicado na Revista Portuguesa de Clínica Geral, (Actualizado).





Saber mais com o Documento Completo sobre Dislexia, da Dra. Paula Teles - Psicóloga educacional(clique aqui!!)

 




A inteligência emocional dos nossos filhos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
fonte: primuscare.pt


A educação das crianças e o desenvolvimento da sua inteligência emocional devem andar de mãos dadas o mais precocemente possivel.

Antes de mais importa distinguir o conceito de emoção, algo mais instável que nos leva a acção e que é marcado por alterações fisiológicas e corporais, do conceito de sentimento, algo posterior à emoção e que decorre do nosso exercicio de pensar as emoções, sendo portanto mais estável e duradouro.

De uma forma simples, pode-se assumir que uma má relação com as emoções pode conduzir a uma má relação com os sentimentos que delas advêm. Isto pode implicar que uma criança cresça sem saber o que sente, o que os outros sentem, sem sensibilidade ou empatia para com a alegria, dor e para com o sofrimento que os outros expressam, o que conduz a desiquilibrios do foro psiquico e até fisico, dificuldades de relacionamento e conflitos com os que as rodeiam e uma grande dificuldade de estar consigo mesma e de ser feliz.

A inteligência emocional implica que a pessoa tem capacidade de reconhecer as suas emoções, tem controlo emocional, capacidade de lidar e gerir as suas emoções, tem motivação para a acção e põe as emoções ao serviço das suas metas. Por outro lado, é capaz de olhar para os outros, colocar-se no seu lugar e reconhecer emoções, sendo portanto hábil nos seus relacionamentos inter-pessoais.

As crianças têm as mesmas emoções que os adultos (raiva, medo, alegria, tristeza, culpa, vergonha, etc), mas precisam de ter consciência delas, de as perceber, de lhes dar nomes, de as expressarem de forma adequada e de as regular.

É nesta aprendizagem que os pais têm um papel fundametal: serão eles os modelos e monitores na descoberta das suas emoções e consequentemente dos outros.

Nos poucos momentos que possam partilhar os pais podem brincar com a criança simulando relações com os outros e situações em que as emoções da criança se possam manifestar, tendo nesse momento a oportunidade de as elaborar com a criança, aceitando-as e ensinando-lhes a dar-lhe um significado, um nome, a adequá-la a situação e a colocar-se no lugar do outro personagem.
Muito provavelmente uma criança que simula numa brincadeira com os bonecos um acidente de automóvel e que reage espontaneamente com violência verbal ou fisica para com o outro condutor, ao ser ajudada pelos pais a perceber que há outras formas de agir, terá nesse momento a oportunidade de corrigir o seu comportamento e de numa situação real vir controlar muito melhor o seu impulso agressivo e a agir de forma cooperativa, socorrendo algum sinistrado por exemplo.

Do mesmo modo, na sua relação com a criança deverão ser eles exemplo de conhecimento das suas emoções e de esforço de reconhecimento das emoções da criança. Mesmo num momento em que queiram ralhar com a criança que faz um disparate, as emoções presentes no conflito devem ser claras para que resultem na devolução de emoções também elas claras por parte da criança. É desta forma que o conflito será elaborado de modo mais saudável e menos traumatizante quer para os pais que educam quer para a criança que é educada.
O que acontece é que a criança reconhece o erro cometido naquela situação especifica e aceita o castigo, mas os pais continuaram a ser sentidos como seguros e fontes de amor, da mesma forma que elas mesmas conservam a sua auto-estima e o seu valor.

Dra. Lídia Rego
Psicóloga Clínica da Saúde
Colaboradora da Primus Care
www.primuscare.pt


 




Saiba Mais... O que é a doença de Parkinson?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007
fonte: Primus Care


A Doença de Parkinson é uma doença do cérebro que progride ao longo do tempo, afecta pessoas mais velhas mas também pode afectar pessoas mais jovens.
A causa determinante é a perda de células que produzem uma substância chamada dopamina, responsável pelo controle e bom funcionamento dos músculos. Os baixos níveis de dopamina juntamente com as alterações químicas condicionam o aparecimento dos sintomas da Doença de Parkinson. Até hoje ainda não se conhece a causa da perda das células responsáveis pela produção de dopamina.

Quantas pessoas têm esta doença?
A prevalência da Doença de Parkinson é estimada em cerca de 85 a 187 casos por 100.000 habitantes. A faixa etária mais acometida situa-se entre os 50 e 70 anos, com o pico aos 60 anos. A incidência em homens é ligeiramente maior que em mulheres.

Quais são os SINTOMAS típicos da Doença de Parkinson?
Movimentos lentos (bradicinesia) – Torna-se difícil iniciar um movimento ou o doente demora mais tempo a realizar o movimento;
Rigidez muscular que pode determinar desconforto ou dificuldades nas actividades de vida diárias;
Tremor (involuntário) numa parte do corpo que no momento não está a ser utilizado, habitualmente, numa fase inicial, pode acontecer numa mão ou num braço.
Esta doença também pode afectar o equilíbrio e marcha. É fundamental esclarecer que a Doença de Parkinson afecta as pessoas de diferentes modos e com diferentes graus de severidade e os sintomas descritos podem não estar todos presentes.

DIAGNÓSTICO
Se o seu médico suspeita que pode ter a Doença de Parkinson, deve ser avaliado por um especialista (neurologista) para um diagnóstico rápido de modo a se conseguir determinar o estádio da doença e iniciar o mais precocemente possível o tratamento.

ALGUMAS QUESTÕES QUE PODE COLOCAR AO SEU MÉDICO E/OU ENFERMEIRO

Informe-me sobre a Doença de Parkinson
Em que medida é que esta doença pode afectar as minhas actividades de vida diária como por exemplo, escrever e guiar?
Quais as organizações, associações que me podem ajudar e apoiar?
Pode providenciar mais alguma informação útil para a minha família e para todos os que me apoiam?

Se já tem o diagnóstico confirmado,
Check List para uma consulta:
1 - QUAL É A RAZÃO PARA A CONSULTA DE HOJE?
É de rotina ou tenho algo de importante a dizer ou a perguntar?
Sinto-me melhor, pior ou igual desde a última consulta?
Se me sinto diferente, qual será a razão?
2 - MEDICAMENTOS
Sinto que os seus efeitos são melhores, piores ou iguais desde a ultima consulta?
Noto alguma modificação nos sintomas?
Estou satisfeito com a presente medicação?
3 - HOUVE ALGUMAS MUDANÇAS NA MINHA VIDA? NO MEU DIA A DIA?
4 - PRECISO DE MAIS AJUDA?
Que formas de ajuda precisaria?
5 - TENHO VIDA ACTIVA COM CONTACTOS SOCIAIS REGULARES?
6 - TENHO ALGUMA PERGUNTA ESPECIAL OU IMPORTANTE A COLOCAR?
7 - HÁ ALGUMA COISA QUE NÃO PERCEBO?
8 - PRECISO QUE O MÉDICO REPITA ALGUMA COISA?
9 - ANOTAR A DATA DA PRÓXIMA CONSULTA
10 - CARIMBAR A RECEITA

(Fonte: Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, 2007)

Enf. Paula Caetano
Mestre em Saúde Pública
Colaboradora Primus Care
Sítio da Primus Care



 




Espinha bífida: o que é?

domingo, 25 de novembro de 2007
fonte: saude.sapo.pt



A espinha bífida é um defeito do tubo neural, que se caracteriza pelo não encerramento dos arcos posteriores das vértebras, o que provoca danos no sistema nervoso central.

De acordo com Eulália Calado, «a espinha bífida é um defeito do tubo neural, que se caracteriza pelo não encerramento dos arcos posteriores das vértebras, o que provoca danos no sistema nervoso central, formado pela espinal-medula e pelo cérebro. A malformação afecta, sobretudo, a sensibilidade e mobilidade dos membros inferiores e é acompanhada, muitas vezes, de hidrocefalia».


(continua ...)

 




O Amar Incondicional de uma Filha portadora de Síndrome de Down!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007
fonte: Sandra M


Sindrome de Down? Trissomia? Meras palavras que definem APENAS um quadro clínico, uma anomalia genética, é alguém especial que com mais limitações que os outros individuos sem problema nenhum.

(continua ...)

 




A dor

terça-feira, 24 de abril de 2007
fonte: Trevim




A dor é uma sensação terrível e de mau presságio a qual não conseguimos descrever com facilidade. Mas, sabemos que precisamos de a aliviar rapidamente pois esta nunca trás hora marcada e geralmente é um dos primeiros sintomas de que algo está mal no nosso organismo.

Para aliviar a sensação de dor a qualquer hora do dia, os Lousanenses recorriam ao SAP (Serviço de Atendimento Permanente).


(continua ...)

 




Chamo-me Marta, provisoriamente

sábado, 21 de abril de 2007
fonte: MafaldaRibeiro


Hoje ela podia estar a viver a minha vida e eu a dela se há vinte e quatro anos, na maternidade Alfredo da Costa, os meus pais tivessem votado “SIM” à IVV, que é como quem diz à interrupção voluntária da vida. A minha. A que não fora interrompida durante a gestação apesar da malformação do feto mas que os médicos acreditavam não ter futuro nem tampouco possibilidade de sobrevivência.

Fotografia da Mafalda Ribeiro

Paredes meias comigo, no mesmo berçário, estava outra bebé, meses mais velha. Em comum tínhamos apenas o espaço físico. Ou talvez a garra pela vida. Quero acreditar que ela não foi um olhar “provisório” neste mundo e que, tal como eu, contrariou o próprio destino.

Era um bebé que, ao contrário de mim, não tinha 1,950 kg, 36 cm e ossos de cristal. Era saudável. Em oposição, decerto não fora desejada como eu fui, amada no primeiro movimento dentro do ventre materno. Todos tinham a certeza que ela ia viver mas por cima do berço podia ler-se “chamo-me Marta provisóriamente”. Todos sabiam que eu tinha uma identidade e que me chamava Mafalda mas a minha sentença de morte lia-se nos olhos de quem confrontava os meus pais.


(continua ...)

 




Sequelas Psicológicas do Aborto Espontâneo

segunda-feira, 16 de abril de 2007
fonte: projectoartemis


A gravidez é um momento especial na vida de uma mulher.
Durante a gravidez, a mulher sonha com um bebé que é idealizado como um bebé perfeito. O nascimento torna o sonho realidade e é o momento em que a mãe ajusta as fantasias do bebé imaginado ao bebé real.

Por vezes a gravidez não corre bem e surge um aborto espontâneo. A impossibilidade de conhecer um bebé que se amou muito pode ser um evento extremamente complicado para a mãe, o pai e a família. Quando ocorre a perda de um bebé, surge um período de dor e sofrimento que a mulher tentará ultrapassar. A perda de um filho é um processo de traumático ligado à perda de um objecto de amor (Cozzarelli, 1993; Keating & Seabra, 1994).

Enfrentar e ultrapassar um aborto é uma tarefa que coloca em causa o equilíbrio psicossomático da mulher. A maioria das mulheres que sofre de aborto espontâneo consegue ultrapassar a perda, sem sofrer de perturbações psicológicas associadas. Mas o aborto pode ser bastante traumatizante, gerando perturbações psicológicas como a depressão e a ansiedade.

Em casos extremos pode também gerar distúrbios como o Transtorno de Stress Agudo ou o Transtorno de Stress Pós-Traumático. A experiência traumática pode gerar também medos, que impedem algumas mulheres de tentar outra gravidez, pois querem evitar voltar a passar pelo mesmo sofrimento.

As mulheres que sofreram aborto espontâneo são consideradas um grupo de risco e devem ser acompanhadas se existiram indícios de sequelas psicológicas desse aborto. Alguns dos sintomas apresentados neste artigo são normais no período inicial e fazem parte do processo natural de luto. No entanto, alguns destes sintomas permanecem durante muito tempo, afectando ou comprometendo o regresso à vida normal.

Algumas mulheres sentem que jamais poderão ultrapassar a perda. Nestes casos, devem procurar ajuda, pois o diagnóstico e tratamento precoce destas perturbações aumenta as hipóteses de recuperação rápida e total. A mulher deve encontrar ajuda num técnico especializado, conhecedor do seu problema nas suas vertentes física e psicológica, que tenha disponibilidade, empatia, tempo e um espaço acolhedor e especialmente destinado para este efeito.

Desta forma, é essencial que se humanizem os cuidados de saúde, para que estes permitam a criação de espaços específicos para ouvir estas mulheres, e para que se formem técnicos para actuar eficazmente sobre esta forma de sofrimento tão particular. É imprescindível que o médico não trabalhe sozinho, que se desenvolvam equipas multidisciplinares, onde a colaboração de várias áreas da medicina e psicologia poderão produzir resultados mais animadores.


Efeitos Psicológicos do Aborto
O aborto espontâneo está associado a efeitos psicológicos negativos. Os sintomas podem ser agrupados em quatro categorias:

Estados Emocionais (Choque, culpa, raiva, ansiedade, depressão, isolamento);

Efeitos Cognitivos (Pensamentos intrusivos acerca do feto, alucinações auditivas e visuais relacionadas com o bebé, sensação de movimentos fetais, dificuldades de concentração, dificuldades em tomar decisões, amnésia, fantasias sobre o feto);

Efeitos Comportamentais (Dificuldade em adormecer, pesadelos, perda de apetite, abuso de substâncias, evitar hospitais, evitar conviver com mulheres grávidas e crianças);

Sintomas Físicos (Sensação de estômago vazio, rigidez nos ombros, fadiga, transpiração excessiva).
Tal como já foi referido, muitos destes sintomas são normais logo após ter ocorrido o aborto espontâneo. Na maior parte dos casos, estes sintomas diminuem de intensidade e desaparecem naturalmente com o passar do tempo. Se os sintomas permanecerem, a mulher deve procurar ajuda especializada.


Transtorno de Stress Agudo e Transtorno de Stress Pós-Traumático
Tanto o Transtorno de Stress Agudo como o Transtorno de Stress Pós-Traumático são descritos como consequências da exposição a um evento traumático que gera emoções negativas e um determinado tipo de sintomas. Apesar de existirem ainda poucas investigações sobre esta temática, alguns autores defendem que pode existir uma relação próxima entre estas perturbações e alguns casos de aborto espontâneo.

O Transtorno de Stress Agudo apresenta um conjunto de sintomas característicos após exposição a um evento traumático. A resposta ao evento pode envolver medo intenso, reviver o evento traumático, fuga a estímulos associados ao trauma e sonhos aflitivos recorrentes durante os quais o evento é reencenado. Estes sintomas envolvem um intenso sofrimento psicológico, que aumenta sempre que a pessoa é exposta a eventos que lembrem o evento traumático (como por exemplo aniversários do evento).

Os estímulos e pensamentos associados ao trauma são permanentemente evitados. Por vezes ocorre também uma “anestesia emocional”, ou seja, uma responsividade diminuída ao mundo externo, diminuição de interesse em realizar actividades que anteriormente davam prazer, isolamento, diminuição da capacidade de sentir emoções, nomeadamente aquelas que implicam intimidade, ternura e sexualidade. Por vezes ocorrem insónias, pesadelos e irritabilidade (APA, 1994).

O Transtorno de Stress Pós-Traumático é semelhante ao Transtorno de Stress Agudo sendo a duração dos sintomas o factor que permite fazer o diagnóstico diferencial. Enquanto que o Transtorno de Stress Agudo tem uma duração mais curta (entre 2 dias a 4 semanas), o Transtorno de Stress Pós-Traumático prolonga-se por mais de 4 semanas (APA, 1994).

Alguns estudos apontam para a existência de 10% de mulheres que sofrem de Transtorno de Stress Agudo e 1% com Transtorno de Stress Pós-Traumático após aborto espontâneo (Salvensen & Cols. 1997 cit. Stephen & Cols, 2000).

É muito importante que o médico esteja atento a estes sintomas e que procure avaliar se existe ou não uma perturbação psicológica, como é o caso do Transtorno de Stress Agudo e o Transtorno de Stress Pós-Traumático. Nestes casos existem técnicas específicas de tratamento psicológico. A intervenção terapêutica vai procurar ajudar a mulher a olhar para o seu problema com uma nova perspectiva, para que consiga entender melhor a sua perda, reconhecê-la, aceitá-la e poder seguir a sua vida em frente (Stephen & Cols, 2000).

Por esta razão, é muito importante que as mulheres que sofreram um aborto espontâneo tenham a oportunidade de ser submetidas a uma avaliação psicológica, para que seja possível a determinação das sequelas deste acontecimento, e seu tratamento caso se considere necessário (Stephen & Cols, 2000).


Aceitar Uma Nova Gravidez
Podemos considerar que uma gravidez após um aborto espontâneo é uma gravidez de risco do ponto de vista psicológico. Existe neste caso um duplo desafio: a mulher é confrontada com o desconhecido e a mudança, que faz parte de qualquer gravidez, e também com o perigo e insegurança sobre a continuação da gravidez. Nestes casos, a mulher vai ter medo de reviver a situação traumática que ocorreu no passado.

Muitas mulheres que sofreram de aborto espontâneo têm tendência para adiar uma nova gravidez, pois por vezes não se encontram preparadas psicologicamente para encarar uma nova perda. A experiência de perda de um bebé vai ser determinante na forma como é encarada a hipótese de uma gravidez no futuro. Quando existiu uma gravidez que não teve um final feliz, a perspectiva de uma nova gravidez vai ser influenciada pelos sentimentos associados à primeira gravidez e pela forma como se resolveu e ultrapassou (ou não) esta perda.

Quando o luto decorre de forma saudável, a perda é ultrapassada e a mulher tem oportunidade de criar um espaço de investimento emocional numa nova gravidez. O processo evolui, na maior parte dos casos, para uma readaptação e aceitação da situação de perda e ao ganho de um novo espaço para novos investimentos noutros objectos de amor.

Mesmo quando este processo ocorre normalmente, é comum que surja um medo em engravidar novamente e passar pelo mesmo sofrimento. Quando surge uma nova gravidez, também é natural que surjam lembranças da gravidez anterior, mas isso não impede que o novo bebé seja investido pela mãe. Se surgirem momentos de grande ansiedade, estes devem ser partilhados com o médico e com a família, de modo a serem minimizados.

Por vezes, surge também uma situação completamente oposta. Algumas mulheres tentam engravidar o mais depressa possível após o aborto espontâneo. Este investimento demasiado rápido pode ser o reflexo de uma tentativa de substituir a anterior gravidez que correu mal.

Muitas vezes, esta gravidez surge como uma tentativa inconsciente de “ressuscitar” o filho que não chegou a nascer, sendo evidente nos casos em que o nome do novo bebé é o mesmo, deseja-se que o sexo do bebé seja o mesmo… Este desejo de substituição pode ser reflexo de uma negação em aceitar o aborto ocorrido no passado e, consequentemente, de o ultrapassar. Nestes casos, é importante dar tempo ao tempo (Keating & Seabra, 1994).

Logo após confirmar que está novamente grávida, a mulher depara-se com sentimentos paradoxais. Por um lado aumenta novamente a sua esperança para ter um filho, mas por outro lado sente um intenso medo de voltar a passar por outro aborto espontâneo. Começa então a observar continuamente o seu corpo, procurando sinais de alarme. Esta situação é vivida com grande ansiedade, que aumenta à medida que se aproxima o tempo de gravidez em que ocorreu o anterior aborto. Durante uma gravidez que ocorre após um aborto espontâneo, a mulher está hipervigilante e preocupa-se continuamente com a sua saúde e saúde do bebé. O médico deve conversar com a grávida e acalmá-la, transmitindo-lhe a sensação de controlo da situação.

É muito importante que a mulher seja ajudada por um técnico especializado a ultrapassar a sua ansiedade e a utilizar estratégias que a possam diminuir ou tornar mais suportável, pois sabe-se que a ansiedade está intimamente relacionada com problemas de gravidez e partos prematuros. As mulheres que sofreram de abortos espontâneos vivem a nova gravidez com sentimentos de pessimismo, procurando evitar vincular-se ao bebé, preparando-se inconscientemente para um novo fracasso. Esta atitude procura evitar o sofrimento, surgindo como uma defesa. No entanto, esta atitude não é saudável para uma vivência saudável da gravidez.

É importante ter em conta que é durante a gravidez que se inicia a relação mãe-bebé. Desta forma, ao sabermos que uma gravidez após um aborto espontâneo está associada a riscos do ponto de vista psicológico, temos que procurar salvaguardar a qualidade da relação mãe-bebé. A criação e promoção desta relação, livre de ansiedade, pessimismo e insegurança, vai prevenir perturbações futuras ao nível da vinculação. Poderemos assim criar condições que ajudem a mãe a viver calmamente o momento único da gravidez e assim promover a saúde mental da criança que vai nascer.

Dra. Sónia Pereira (Psicóloga Clínica)



 




A inclusão no contexto escolar - Os visitantes da SUPERAR BARREIRAS pronunciam-se!

quinta-feira, 29 de março de 2007
fonte: superarbarreiras



A inclusão de crianças com Necessidades Educativas Especiais não pode ficar circunscrita a uma atitude de mera aceitação da diferença, ou pior ainda a uma atitude de cariz caritativo. Aceitar apenas a diferença é uma aspiração frágil, pouco consistente e muitas vezes falaciosa. Há que almejar “voar mais alto”, no sentido de um querer interagir com a diferença.

Esta intenção não se implementa pela imposição de decretos, mas parte de uma vontade interior, em querer estabelecer a comunicação com o outro. É neste querer que se descobre o outro, tantas vezes ofuscado pelo rótulo da deficiência. Ao fazê-lo deixamo-nos conduzir para outros ritmos, para outras concepções da realidade, que de estranhas e distantes, se tornam familiares, diferentes e igualmente apaixonantes.

Concretizar este ideal no contexto educativo do Primeiro Ciclo do Ensino Básico é verdadeiramente surpreendente e gratificante. O tipo de relacionamento e de cumplicidade, que os alunos da EB1 do Pereiro estão a conseguir estabelecer, com a colega portadora de paralisia cerebral, é um exemplo de que vale a pena acreditar na verdadeira inclusão. De que afinal, mais do que palavras as atitudes falam por si.

Apesar da aluna ser completamente dependente e privada da fala, tal não significou isolamento e segregação. No espaço informal do recreio, ela consegue estabelecer verdadeiras “pontes de diálogo” com os colegas, que sabiamente aprenderam o significado e a importância da comunicação não verbal. A interpretação do significado dos comportamentos não verbais, manifestados através do olhar, do sorriso, da postura corporal foi uma aquisição partilhada e rapidamente difundida pelo grupo.

E assim se justifica, o facto da aluna ter conquistado um lugar especial, tornando-se o centro das atenções, dos afectos e das mimices. À sua volta há sempre “pequenas multidões” de pupilos dispostos a conversar, animar e também ajudar. Desde passear com a cadeira de transporte pelo recreio, segurar na mão da aluna, ajudar a colocá-la na cadeira etc. Pequenos gestos reveladores de sentimentos nobres, como a amizade e a solidariedade.

Nesta caminhada da inclusão vislumbram-se outras conquistas, que acredito poderem vir a serem alcançadas num futuro próximo. Refiro-me concretamente à utilização de um software específico de comunicação alternativa, já usado pela aluna nas suas aprendizagens académicas, nas interacções com os colegas. Ou seja, pretende-se que estes aprendam a interagir com a aluna através da sua tabela de comunicação no computador. Os ganhos em termos de comunicação são inegáveis, repercutindo-se positivamente na sua participação.

Assim, a aluna poderá não só manifestar a sua opinião, responder às perguntas que lhe dirigem, mas também questionar os colegas, iniciar a conversação, que o computador verbaliza todas as opções por ela seleccionadas.
A vivência deste processo de inclusão torna-nos agentes activos na transformação da quimera em realidade, perpetuando a frase do poeta, que ao ritmo da melodia vai dizendo que “o sonho comanda a vida, quanto mais o homem sonha, mais o mundo pula e avança”.

Autora do texto: Anabela Bastos Martins de Almeida
Docente do Ensino Especial, a exercer funções no Agrupamento de Milheirós de Poiares. Email: belabastos sapo.pt.


 




Aprendendo a ver o Sindrome de Down sem Preconceito, sem Exclusão

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
fonte: sandra


Neste espaço o Portal ajudas.com recebe alguns artigos de cidadãos que escrevem sobre alguns temas que consideramos interessantes. este é um testemunho pessoal que julgamos perninente aqui publicar.




Ter uma criança com Sindrome de Down, não é uma vergonha, nem um azar, nem uma obra do diabo, nem significa ter uma criança com atraso, não é um fardo, um castigo de Deus ou azar do destino, significa SIM que é uma criança que requer apenas mais atenção, cuidados, basicamente necessita apenas de muitíssimo Amor e de uma forma Incondicional. Ter um filho já é uma Bênção, um Raio de Luz que irrompe as nossas vidas, acalentando-a, enriquecendo-a de uma forma indescritível. Ter uma criança assim é tudo a dobrar, e não é como a personagem Marta refere na novela das noite que passa na Sic – “Páginas da Vida” e diz que são trabalhos dobrados, um fardo, ao ponto de sendo avó de 2 crianças, entregar para adopção a que tem Síndrome de Down, exactamente por preconceito. Vejam e revoltem-se!

(continua ...)

 



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